Deixado para morrer by Beck Weathers

Deixado para morrer by Beck Weathers

Author:Beck Weathers [Beck Weathers]
Format: epub
Tags: Biography & Autobiography, General
ISBN: 9788580578034
Google: ro1CCgAAQBAJ
Published: 0101-01-01T00:00:00+00:00


PARTE TRÊS

Beck no Windy Corner, monte McKinley, 1989.

DEZESSEIS

Se você nunca se sentiu muito bem consigo, não espera que isso mude e, portanto, acaba não lamentando sua infelicidade. Você nunca está feliz, mas consegue ir em frente.

Isso não quer dizer que seus padrões de funcionamento sejam normais. Você não está emocionalmente completo e não pode acrescentar muito valor aos seus relacionamentos pessoais. Mas pode continuar colocando um pé na frente do outro, dia após dia, que é o que os alpinistas fazem quando escalam montanhas. Existe até certa satisfação amarga em ser bem-sucedido nessas circunstâncias, contando apenas com determinação e inteligência.

Era assim que eu via as coisas nos primeiros anos do meu casamento. Eu fazia o que sempre havia feito de melhor — trabalhar — e procurava um número suficiente de desafios e distrações para manter minha mente ocupada. É claro que isso não passava de uma fuga.

Costumo agir de forma um pouco exagerada quando tenho uma nova ideia ou desenvolvo um novo interesse. Fico fascinado e procuro aprender tudo que posso sobre o assunto. Então, depois de satisfazer minha curiosidade, passo para outra coisa.

Meu primeiro hobby foi um Hobie — isto é, um Hobie Cat, um tipo de veleiro pequeno no qual eu navegava na região dos lagos de Dallas durante minha residência na Southwestern. Não era um hobby fugaz. Meu objetivo de longo prazo era dar a volta ao mundo navegando. O Cat era só o primeiro passo no que eu esperava ser um processo metódico e longo que me levaria à verdadeira expedição. No entanto, as circunstâncias acabaram atrapalhando meus planos.

Fiz cursos por correspondência sobre todo e qualquer assunto imaginável, de oceanografia a meteorologia marítima, adquirindo todos os conhecimentos técnicos e todas as habilidades de navegação ao alcance de alguém que vive a centenas de quilômetros da água salgada. Também frequentei cursos de navegação e reuni uma imensa biblioteca sobre o tema. Parte da minha experiência foi desenvolvida no Caribe, para onde viajei duas vezes, alugando um barco sem capitão nem tripulação.

Se você acha que é bom em esconder a verdade, deveria tentar convencer um cara a alugar para você, um estranho, seu valioso veleiro por alguns dias. Na minha primeira viagem, levei Tom Dickey e sua esposa, que duvidava tanto da minha capacidade no mar que decidiu escrever seu testamento em papel higiênico durante o nosso voo até o litoral.

Dei instruções para que eles não fizessem nenhuma pergunta na frente do proprietário do barco e ficassem em silêncio, com expressões de quem estava entendendo tudo. Se eles perguntassem, por exemplo, como se chamava a parte da frente ou a parte de trás, ou o que era aquela coisa alta no centro, poderíamos acabar não passando da doca, ou ficar bebendo mai tais em algum lugar, mas com certeza não velejaríamos.

Dickey me chamava de Capitão Bligh.

Na minha segunda excursão, levei meu pai, meu irmão Dan, Tom Dickey e meu cunhado, Howard, que seria o cozinheiro. Mais uma vez, tive que avisar àquele bando de bobalhões — Howie já



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